segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

SYLVIA PLATH

Eu traduzi, juntamente com o poeta Rodrigo Garcia Lopes, "Ariel", da poeta norte-americana Sylvia Plath. O livro, em edição bilíngue, saiu pela Editora Verus, em 2007.

Transcrevo, abaixo, um dos 41 poemas de "Ariel", no original e em nossa tradução.

The Rival

If the moon smiled, she would resemble you.
You leave the same impression
Of something beautiful, but annihilating.
Both of you are great light borrowers.
Her O-mouth grieves at the world; yours is unaffected,

And your first gift is making stone out of everything.
I wake to a mausoleum; you are here,
Ticking your fingers on the marble table, looking for cigarettes,
Spiteful as a woman, but not so nervous,
And dying to say something unanswerable.

The moon, too, abases her subjects,
But in the daytime she is ridiculous.
Your dissatisfactions, on the other hand,
Arrive through the mailslot with loving regularity,
White and blank, expansive as carbon monoxide.

No day is safe from news of you,
Walking about in Africa maybe, but thinking of me.



Rival

Se a lua sorrise, pareceria com você.
Você também deixa a impressão
De algo lindo, mas aniquilante.
Ambos são bons em roubar luz alheia.
A boca da lua se lamenta ao mundo; a sua é insensível,

E seu maior dom é fazer tudo virar pedra.
Desperto num mausoléu; você está aqui,
Tamborilando na mesa de mármore, procurando cigarros,
Malicioso como uma mulher, não tão nervoso assim,
E louco para dizer algo irrespondível.

A lua, também, humilha seus súditos,
Mas de dia ela é ridícula.
Suas insatisfações, por outro lado,
Chegam pelo correio com regularidade encantadora,
Brancas e vazias, expansivas como monóxido de carbono.

Nem um dia se passa sem notícias suas,
Passeando pela África, talvez, mas pensando em mim.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. A Sylvia Plath é uma Poetisa singular, navio que navega as nuvens sem medo de ser feliz com as Palavras. Pois, em Ariel -- esse é o grande mérito dela -- ela se veste na pele de outras personagens, em situações distintas, utilizando a sua própria vida como pano de fundo. Isso é demais! é como se fosse o nosso Fernando Pessoa com os heterônimos embutidos nos Poemas.

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