sexta-feira, 25 de outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

sábado, 19 de outubro de 2013

Vinicius de Moraes!!!

        

Hoje, 19 de outubro de 2013, o grande poeta e músico Vinicius de Moraes estaria completando 100 anos!

Continua vivo através de sua poesia e de sua música e está sendo homenageado em vários locais pelo Brasil.

O SARAU LITERÁRIO ZONA SUL também irá celebrá-lo, no próximo dia 29/10, na livraria Estação dos Livros, com leitura de seus poemas e com sua música, interpretada pelo violonista Cláudio Vera Cruz.

Abaixo, um de seus incontáveis belos poemas:

POÉTICA (I)

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Anna Akhmátova (1889-1966)


REVOADA BRANCA

                                                               Para N.G.

Tua casinha branca, teu tranquilo jardim abandonarei. 
Minha vida passará a ser solitária e radiosa.
Mas a ti, a ti eu celebrarei em meus versos,
como mulher alguma jamais fez.
Tu, querido, relembrarás a tua amada
no paraíso que criaste para os olhos dela.
Enquanto isso, eu comercio estes tesouros:
teu amor, tua ternura, vou vendê-los.



 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Manoel de Barros!


RETRATO QUASE APAGADO EM QUE SE PODE VER
PERFEITAMENTE NADA

II

Todos os caminhos - nenhum caminho
Muitos caminhos - nenhum caminho
Nenhum caminho - a maldição dos poetas.


V

Escrever nem uma coisa
Nem outra -
A fim de dizer todas -
Ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,
Ao poeta faz bem
Desexplicar -
Tanto quanto escurecer acende os vaga-lumes.


VI

No que o homem se torne coisal - corrompem-se nele
     os veios comuns do entendimento.
Um subtexto se aloja.
Instala-se uma agramaticalidade quase insana, que
     empoema o sentido das palavras.
Aflora uma linguagem de defloramentos, um
     inauguramento de falas.
Coisa tão velha como andar a pé
Esses vareios do dizer.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sylvia Plath


Os mensageiros

Palavra de lesma em prato de folha?
Não é minha. Não a aceite.

Ácido acético em lata selada?
Não o aceite. Não é genuíno.

Anel de ouro e nele o sol?
Mentiras. Mentiras e uma dor.

Geada numa folha, o imaculado
Caldeirão, estalando e falando

Sozinho no topo de cada um
Dos nove Alpes negros,

Um distúrbio nos espelhos,
O mar estilhaçando seu cinza -

Amor, amor, minha estação. 

  
               ("Ariel", Verus Editora, 2007 - Tradução minha e de Rodrigo Garcia Lopes)


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Manoel de Barros!


O PULO

Estrela foi se arrastando no chão deu no sapo
sapo ficou teso de flor!
e pulou o silêncio


SERVIÇOS

Catar um por um os espinhos da água
restaurar nos homens uma telha de menos
respeitar e amar o puro traste em flor