segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Outro poema de RONALD AUGUSTO, do livro "Confissões Aplicadas".
Pesadelo da História
para o mundo não pisar às avessas
o negro que sou inclusive em alma
a custo forçaram a ver navios
apartando-o da selvagem terra
dos inimigos e dos seus de palma
não há como não tosar-lhe o pavio
daí para que tento e estética
troque ele como quem troca casaca
será nada e bom ao senhorio
mau negócio senhor via diversa
(na regra novos fatos) fui com calma
até onde marra bem alto o rio
tornei com dentes mais alvos de serra
talo de arruda na orelha macaca
agora a goela do teu sonho trincho
envoi
pois muitos dormem temendo o escuro
crucifixo ao colo quase absurdo
os que ainda acordam vivos dão graças
semtem-se pagados a flor da raça
para o mundo não pisar às avessas
o negro que sou inclusive em alma
a custo forçaram a ver navios
apartando-o da selvagem terra
dos inimigos e dos seus de palma
não há como não tosar-lhe o pavio
daí para que tento e estética
troque ele como quem troca casaca
será nada e bom ao senhorio
mau negócio senhor via diversa
(na regra novos fatos) fui com calma
até onde marra bem alto o rio
tornei com dentes mais alvos de serra
talo de arruda na orelha macaca
agora a goela do teu sonho trincho
envoi
pois muitos dormem temendo o escuro
crucifixo ao colo quase absurdo
os que ainda acordam vivos dão graças
semtem-se pagados a flor da raça
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
RONALD AUGUSTO
Do livro "No assoalho duro", um dos poemas que Ronald e eu leremos no sarau do dia 31.
8. sonhei comigo sonho sob pórticos
de luz tropical claridade verde
que eu julgava ser o espelho onde esta
face (agora inclinada sobre linhas
toscas de recordação puramente
imaginária) espelho onde esta face
pudesse mirar-se com minuciosa veracidade
sonho de vaidade vácua
que paraíso guardará a menor semelhança
que seja com a cara inexistente que
às vezes afivelo sobre a face para
melhor me desvelar?
8. sonhei comigo sonho sob pórticos
de luz tropical claridade verde
que eu julgava ser o espelho onde esta
face (agora inclinada sobre linhastoscas de recordação puramente
imaginária) espelho onde esta face
pudesse mirar-se com minuciosa veracidade
sonho de vaidade vácua
que paraíso guardará a menor semelhança
que seja com a cara inexistente que
às vezes afivelo sobre a face para
melhor me desvelar?
terça-feira, 24 de agosto de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Poema II de "Tristes cantigas de amor", de ANTONIO BOTO
O BRINCO DA TUA ORELHA
O brinco da tua orelha
sempre se vai maneando;
gostava de dar um beijo
onde o teu brinco os vai dando.
Tem um topázio doirado
esse brinco de platina;
um rubi muito encarnado
e uma outra pedra fina.
O que eu sofro quando o vejo
sempre airoso meneando!
Dava tudo por um beijo
onde o teu brinco os vai dando.
O brinco da tua orelhasempre se vai maneando;
gostava de dar um beijo
onde o teu brinco os vai dando.
Tem um topázio doirado
esse brinco de platina;
um rubi muito encarnado
e uma outra pedra fina.
O que eu sofro quando o vejo
sempre airoso meneando!
Dava tudo por um beijo
onde o teu brinco os vai dando.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
De Sandra Santos,
Rubro em rosa
O beijo da morte
na tua saliva
A lágrima de sangue
do vinho bebido, ainda
A última rosa
a que restou seca
Um parto de dor
a tua partida
O beijo da morte
na tua saliva
A lágrima de sangue
do vinho bebido, ainda
A última rosa
a que restou seca
Um parto de dor
a tua partida
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
MURILO MENDES
Estudo para uma ondina
Esta manhã o mar acumula ao teu pé rosas de areia,
Balançando as conchas de teus quadris.
Ele te chama para as longas navegações:
Tua boca, tuas pernas teu sexo teus olhos escutaram.
Só teus ouvidos é que não escutaram, ondina.
Minha mão lúcida sacode a floresta do teu maiô.
Ao longe ouço a trompa da caçada às sereias
E um peixe vermelho faz todo o oceano tremer.
Tens quinze anos porque já tens vinte e sete,
Tens um ano apenas...
Agora mesmo nasceste da espuma,
E na incisão do ar líquido alcanças o amor dos elementos.
Esta manhã o mar acumula ao teu pé rosas de areia,
Balançando as conchas de teus quadris.
Ele te chama para as longas navegações:
Tua boca, tuas pernas teu sexo teus olhos escutaram.
Só teus ouvidos é que não escutaram, ondina.
Minha mão lúcida sacode a floresta do teu maiô.
Ao longe ouço a trompa da caçada às sereias
E um peixe vermelho faz todo o oceano tremer.
Tens quinze anos porque já tens vinte e sete,
Tens um ano apenas...
Agora mesmo nasceste da espuma,
E na incisão do ar líquido alcanças o amor dos elementos.
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