sexta-feira, 29 de junho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Cecília Meireles, no livro "Vaga Música" (1942).
INTERLÚDIO
As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.
Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente - claro muro
sem coisas escritas.
Deixa o presente. Não fales.
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.
Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.
Fico ao teu lado.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
O compositor/intérprete Otávio Segala em Santa Maria!
Tenho certeza que será um ótimo programa: Segala toca bem, canta bem, vai estar muito bem acompanhado e, além de tudo, os textos do Verissimo estão sensacionais!
domingo, 24 de junho de 2012
Hilda Hilst
(Mais um dos poemas lidos no SARAU LITERÁRIO ZONA SUL, NO ÚLTIMO DIA 19).
Poema IX, do livro "Amavisse" (do latim, "ter amado").
Amor chagado, de púrpura, de desejo
Pontilhado. Volto à seiva de cordas
Da guitarra e recheio de sons o teu jazigo.
Volto empoeirada de vestígios, arvoredo de ouro
Do que fomos, gotas de sal na planície do olvido
Para reacender a tua fome.
Amor de sombras de ocasos e de ovelhas.
Volto como quem soma a vida inteira
A todos os outonos. Volto novíssima, incoerente
Cógnita
Como quem vê e escuta o cerne da semente
E da altura de dentro já lhe sabe o nome.
E reverdeço
No rosa de umas tangerinas
E nos azuis de todos os começos.
Poema IX, do livro "Amavisse" (do latim, "ter amado").
Amor chagado, de púrpura, de desejo
Pontilhado. Volto à seiva de cordas
Da guitarra e recheio de sons o teu jazigo.
Volto empoeirada de vestígios, arvoredo de ouro
Do que fomos, gotas de sal na planície do olvido
Para reacender a tua fome.
Amor de sombras de ocasos e de ovelhas.
Volto como quem soma a vida inteira
A todos os outonos. Volto novíssima, incoerente
Cógnita
Como quem vê e escuta o cerne da semente
E da altura de dentro já lhe sabe o nome.
E reverdeço
No rosa de umas tangerinas
E nos azuis de todos os começos.
Terça e quarta!
Dois excelentes eventos literários para a semana que está começando: terça, dia 26, tem Mario Pirata na ALFRS - Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul: trajetória e leitura de poemas do brincadeiro e poeta. Às 16:30hs, na sede da ALF, rua Sarmento Leite, 933.
E na quarta, 27, Renato de Mattos Motta recebe o poeta Carlos Legendre, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, às 19hs. Convite abaixo:
E na quarta, 27, Renato de Mattos Motta recebe o poeta Carlos Legendre, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, às 19hs. Convite abaixo:
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Poema de Élvio Vargas
O poeta alegretense Élvio Vargas tem dois livros publicados: "O Almanaque das Estações", de 1993, e "Água do Sonho", de 2007. Prepara, agora, seu 3º livro de poemas, que será lançado ainda em 2012.
O poema inédito abaixo foi feito para o SARAU LITERÁRIO ZONA SUL, dedicado, na última edição, dia 19, ao amor e aos enamorados:
SALOMÉ
Teus raros olhos andaluzes
vagam luas, noites, lumes
nas sendas do meu compasso.
Harpas, tambores, oboés
são assuntos íntimos
entre Herodes e Salomé.
A cintura gravita
esticando o laço
grave do meu enlace.
Serpentes sibilam
sobre a orla negra
do teu regaço.
Ritmo, suor, silhueta
bordonejam a partitura
noturna que rege
a suíte dos cansaços.
Tuas pernas, ancas
seios, dorso
púbis...cintilam
vergando o fogo dos mastros.
Teus pelos de Medusa
petrificam-me.
Bailando bailamos dores
êxtase, entrega e desejo.
Rastejo e voo no doce
rastro dos teus pés.
Binários círculos onde convalesço
aquieto-me e adormeço...
O poema inédito abaixo foi feito para o SARAU LITERÁRIO ZONA SUL, dedicado, na última edição, dia 19, ao amor e aos enamorados:
SALOMÉ
Teus raros olhos andaluzes
vagam luas, noites, lumes
nas sendas do meu compasso.
Harpas, tambores, oboés
são assuntos íntimos
entre Herodes e Salomé.A cintura gravita
esticando o laço
grave do meu enlace.
Serpentes sibilam
sobre a orla negra
do teu regaço.
Ritmo, suor, silhueta
bordonejam a partitura
noturna que rege
a suíte dos cansaços.
Tuas pernas, ancas
seios, dorso
púbis...cintilam
vergando o fogo dos mastros.
Teus pelos de Medusa
petrificam-me.
Bailando bailamos dores
êxtase, entrega e desejo.
Rastejo e voo no doce
rastro dos teus pés.
Binários círculos onde convalesço
aquieto-me e adormeço...
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