quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Lançamento de Sergio Napp!!!

Mais LARA DE LEMOS

Difícil

Primeiro dei a violeta
flor esquiva, vergonhosa.

Você me pediu a rosa.

Miúda mas verdadeira
dei então rosa de cheiro.

Você enjoou ligeiro.

 Ainda dei o tomilho,
a ervilha, o amor-perfeito.

E você não tomou jeito.

Depois a flor da saudade
o malmequer e o açafrão.

Você queria o limão.

Espinho em dor florescido
meu coração lhe ofertou.

Você não viu. Nem olhou.

Por fim o alecrim rasteiro,
simplinho, jeito de casa.

Você então...criou asa.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Hoje é quarta, então, tem sarau no quarto!!!

Todas as quartas tem sarau no quarto, no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Andradas 1223.
Hoje é a vez do sarau de Angélica Rizzi, "Poetas Iluminadas", contando com a presença da artista plástica Sueli Mousquer.

Vale a pena conferir!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Lara de Lemos

                                Na foto, com Mario Quintana


Quero-me inteira

Ah! Que terrível mutilação
esse ter que nos dar assim
todos os dias!

Dar-nos aos pedaços
- um pouco a um,
um pouco a outro,
sem que fique nada
de verdadeiramente nosso
em nós.

Pertencermos
aos que nos afagam por hábito,
aos que nos possuem com os olhos,
aos que nos esperam sensatos,
aos que nos amam doidos
e, afinal, aos que nos querem
como nós não somos.

Quero-me eu,
completa, autêntica, cheia de abandono
pertencendo-me sem nenhuma clemência
para com a alheia expectativa.

Eu, para dar-me ou negar-me
sem explicações, falsos pudores
ou inúteis justificativas.

Não é o melhor nem o mais fácil
o que peço.
Quero-me rir ou chorar
para viver ou morrer. Inteira.
 

domingo, 31 de julho de 2011

sábado, 30 de julho de 2011

Hoje, 30 de julho, 105 anos de Mario Quintana!



Do livro "O Aprendiz de Feiticeiro", 

O POEMA

Um poema como um gole dágua bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre
                                              na floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa
                                             condição de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

interrompido

Este conto é de minha autoria, e foi publicado no livro "Arca Profana", Território das Artes Editora, Porto Alegre, 2010.



Tomou outro gole daquele tinto, deu uma tragada no cigarro dele e pensou: quero este homem.

Quando, naquela manhã, o vira na praia, seu corpo tremera um pouco. Tipo amor à primeira vista ou paixão arrebatadora, qualquer coisa assim.

Os dois se aproximaram, começando o bate-papo. Depois de alguns minutos, sentaram-se juntos na areia, próximos um do outro. Ela sentia a presença daquele homem quase como se a tocasse. Ele era naturalmente sedutor.

Depois de várias horas e vários banhos de mar, a conversa não esmorecera, tendo enveredado para assuntos pessoais. Bem pessoais. Ela estava enfeitiçada.

Quando o sol foi embora, eles decidiram fazer o mesmo, porém, juntos. Foram para o apartamento dela, ali perto.

Ele abriu o vinho. Começaram a sorvê-lo devagar, deleitando-se com a bebida e, mais ainda, deleitando-se um com o outro. O desejo irrompia nos olhos abrasados, nas bocas úmidas, nos corpos lânguidos.

E aí, volto à primeira linha desta história: "tomou outro gole daquele tinto, deu uma tragada no cigarro dele e pensou: quero este homem!". Abriu os braços e ele a enlaçou com força. Beijaram-se. Ela o atirou na cama: gostava de amores violentos. Ele entrava no seu jogo. Rolaram feito loucos e, feito loucos, começaram a se despir. Reconhecimento dos corpos. Entrelaçamento. Nossa, pensou ela, romântica e passional, acho que este é o homem da minha vida.

As mãos percorriam os corpos, os lábios cerravam as bocas e escorregavam pelos pescoços, peitos, coxas. A janela aberta deixava entrar o alarido da rua.

No instante em que o corpo dele a penetrava, ouviu o estampido. Bala perdida.