domingo, 1 de novembro de 2015

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

61ª Feira do Livro de Porto Alegre



Estarei lá, com meu Sarau Literário Zona Sul!


sábado, 17 de outubro de 2015

Carlos Drummond de Andrade



Nunca vou cansar de ler Drummond. O poema abaixo é de seu livro póstumo O AMOR NATURAL:


São flores ou são nalgas
estas flores
de lascivo arabesco?

São nalgas ou são flores
estas nalgas
de vegetal doçura e macieza?

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O patrono



Poema de autoria de Dilan Camargo, recentemente escolhido como Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre, que vai acontecer de 30 de outubro a 15 de novembro de 2015.

O poema está no livro A FALA DE ADÃO (Mercado Aberto, 2000), esgotado, mas que será republicado durante a Feira:


MILAGRES DE AMOR

Podem ser olho que lume
chama de vela eterna
beijo depois do queixume
a carícia que se alterna

Podem ser esse perfume
de líquidos e de esperma
rumor de amor em cardume
movendo o moinho das pernas.


Dilan Camargo e eu, em uma das edições do SARAU LITERÁRIO ZONA SUL, 2014.

domingo, 27 de setembro de 2015

Sarau Literário Zona Sul


No último dia 24 de setembro, apresentei a 50ª edição do Sarau Literário Zona Sul, UMA NOITE RUSSA, a convite da Associação Amigos do Palacinho, cuja presidente é a poeta Cleonice Bourscheid.

O evento realizou-se no belo Salão Mourisco, Biblioteca Pública do Estado. Sua diretora, Morganah Marcon, esteve presente, prestigiando o sarau.

Decidi, nesta edição, homenagear a poeta russa Marina Tsvetáieva (1892-1941), considerada uma das maiores poetas russas do século XX.

Palavras de Boris Schnaiderman, um de seus tradutores, sobre os versos de Marina:

"São concisos, ásperos, severos, de uma severidade que se alterna com certa tendência para o fluente e o musical, certamente dos mais belos e realizados da poesia russa deste século". (Poesia Russa Moderna, de Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman, Editora Perspectiva, 6ª edição, 2001).

Convidei os músicos da Ospa, Villi&Filipe para apresentarem, ao violino e violoncelo, música russa erudita e popular. Eles fizeram uma bela seleção, começando por Tchaikovsky, passando por Anton Rubinstein e Ivan Kozlovsky, entre outros compositores russos.
Como Marina teve que deixar a Rússia, e viveu na Tchecoslováquia e na França, os músicos apresentaram também HUMORESKE, do compositor tcheco Dvorak e JE NE REGRETTE RIEN e HYMNE À L'AMOUR, de Edith Piaf.


A seguir, dois poemas de Marina Tsvetáieva, ambos de 1918:

A roupa branca eu lavo no rio,
Duas florzinhas eu crio.

Toca o sino - eu me persigno.
No tempo da fome - me afino.

A alma e o cabelo - como seda.
Mais cara que a vida - a boa vereda.

Cumpro fiel a minha obrigação.
- Mas amo você - lobo e ladrão.



Se a alma nasceu alada -
Cabanas ou palácios, não são nada!
Gengis Khan, a Horda - o que são, no fundo?
Meus, há dois inimigos no mundo,
Dois gêmeos - indissoluvelmente amarrados:
A saciedade dos satisfeitos - e a fome dos esfomeados!

                                                      (Tradução de Aurora Bernardini)



Cleonice Bouscheid e eu, pouco antes do início do sarau, em foto de Alfredo Aquino



A violinista Villi e eu recebemos flores ao final do sarau (foto de Alfredo Aquino)


Os músicos Villi&Filipe e eu (foto de Ana Mello)


Filipe, eu, Villi, Morganah Marcon, Carmen Presotto, Cleonice Bourscheid, Alfredo Aquino


Os músicos, Villi&Filipe, e eu (foto de Alfredo Aquino)

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Lara de Lemos (1923-2010)




Poemas Esparsos (1999 - 2000)


Haicai

Sinto-me oblíqua
como o voo de pássaros
no azul da nuvens.


Anunciação

O verão se anuncia
nos pêssegos maduros
nos jardins perfumados
no rumor das asas
nas cigarras que cantam
como violinos desafinados.

As estações se sucedem.
Permanece apenas
o coração angustiado.