quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Olga Savary

Ycatu *

E assim vou
com a fremente mão do mar em minhas coxas.
Minha paixão? Uma armadilha de água,
rápida como peixes,
lenta como medusas,
muda como ostras.


* Do tupi: água boa

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ricardo Darín




Cada vez mais, gosto do cinema argentino. O filme UM CONTO CHINÊS, que estreou semana passada aqui em Porto Alegre, é mais uma prova da qualidade do cinema que os argentinos fazem de alguns anos para cá. Este filme é de Sebastián Borensztein.

Mas, o melhor de tudo mesmo, é o ator Ricardo Darín.
Ele é quase que garantia de bom cinema: além de ser um excelente ator, é todo este charme que se vê aí ao lado!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

FERREIRA GULLAR, "Em alguma parte alguma". (2010)

INSETO

Um inseto é mais complexo que um poema
Não tem autor
Move-o uma obscura energia
Um inseto é mais complexo que uma hidrelétrica

Também mais complexo
                         que uma hidrelétrica
é um poema
(menos complexo que um inseto)

e pode às vezes
                           (o poema)
com sua energia
iluminar a avenida
              ou quem sabe
                                     uma vida

domingo, 4 de setembro de 2011

POEMAS DE AMOR (1957), de Idea Vilariño.







                                                
                                                    A Juan Carlos Onetti




ENTRE

Entre tus brazos
entre mis brazos
entre las blandas sábanas
entre la noche
tiernos
solos
feroces
entre la sombra
entre las horas
entre
un antes y un después.
 


O passado e eu!

Um amigo me enviou esta foto, hoje. Em tempos de aniversário, uma certa melancolia...A década era a de 70.


sábado, 3 de setembro de 2011

Mario Vargas Llosa




No livro Elogio da Madrasta, o personagem dom Rigoberto antecipa os prazeres do encontro amoroso com Lucrecia, sua esposa:



                "Enquanto enrolava umas bolinhas de algodão na ponta de um grampo e as umedecia com água e sabão para limpar a cera acumulada no interior do ouvido, antecipou o que aqueles limpos funis ouviriam dentro de pouco, descendo dos seios para o umbigo da sua esposa. Ali não precisariam de esforço para surpreender a música secreta de Lucrecia, pois uma verdadeira sinfonia de sons líquidos e sólidos, prolongados e breves, difusos e nítidos, viria revelar-lhe a sua vida soterrada. Antecipou com gratidão como se emocionaria ao captar, através desses órgãos que agora escarvava com minucioso afeto, desembaraçando-os da película oleosa que periodicamente se formava neles, algo da existência secreta do seu corpo: glândulas, músculos, vasos sanguíneos,folículos, membranas, tecidos, filamentos, tubos, trompas, toda essa rica e sutil orografia biológica que jazia sob a tersa epiderme do abdômen de Lucrecia. "Amo tudo o que existe dentro ou fora dela", pensou. "Porque tudo nela é ou pode ser erógeno." "

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Thiago de Mello




Que prazer conviver, mesmo que só um pouquinho, com o grande Thiago de Mello, aqui em Porto Alegre! Poesia, vinho, bom papo, poesia novamente! Obrigada, Thiago!
Dele, o poema,


TEMO POR MEUS OLHOS

Temo por meus olhos
diante das puras vestes.
E no entretanto, desejo.

Temor que sugere o epílogo
de ser cântaro partido
ao lado de fonte pródiga.

 A não contemplar, prefiro
definitiva cegueira.

Não como os homens cegos,
mas como os pés das crianças
que são cegos, caminhando.