quinta-feira, 12 de agosto de 2010

DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO, de Hilda Hilst

VIII

De luas, desatino e aguaceiro
Todas as noites que não foram tuas.
Amigos e meninos de ternura

Intocado meu rosto-pensamento
Intocado meu corpo e tão mais triste
Sempre à procura do teu corpo exato.

Livra-me de ti. Que eu reconstrua
Meus pequenos amores. A ciência
De me deixar amar
Sem amargura. E que me deem

A enorme incoerência
De desamar, amando. E te lembrando

- Fazedor de desgosto -
Que eu te esqueça.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO, de Hilda Hilst

VI

Sorrio quando penso
Em que lugar da sala
Guardarás o meu verso.
Distanciado
Dos teus livros políticos?
Na primeira gaveta
Mais próxima à janela?
Tu sorris quando lês
Ou te cansas de ver
Tamanha perdição
Amorável centelha
No meu rosto maduro?
E te pareço bela
Ou apenas te pareço
Mais poeta talvez
E menos séria?
O que pensa o homem
Do poeta? Que não há verdade
Na minha embriaguez
E que me preferes
Amiga mais pacífica
E menos aventura?
Que é de todo impossível
Guardar na tua sala
Vestígio passional
Da minha linguagem?
Eu te pareço louca?
Eu te pareço pura?
Eu te pareço moça?

Ou é mesmo verdade
Que nunca me soubeste?

sábado, 7 de agosto de 2010

DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO, de Hilda Hilst

IV

Minha medida? Amor.
E tua boca na minha
Imerecida.

Minha vergonha? O verso
Ardente. E o meu rosto
Reverso de quem sonha.

Meu chamamento? Sagitário
Ao meu lado
Enlaçado ao Touro.

Minha riqueza? Procura
Obstinada, tua presença
Em tudo: julho, agosto
Zodíaco antevisto, página

Ilustrada de revista
Editorial, jornal
Teia cindida.

Em cada canto da Casa
Evidência veemente
Do teu rosto.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

DEZ CHAMAMENTOS AO AMIGO, de Hilda Hilst

II

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora

Há tanto tempo sua própria tessitura.

Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Oficina de escrita criativa com VALESCA DE ASSIS

JANELA SOBRE UMA MULHER I, de EDUARDO GALEANO.


Essa mulher é uma casa secreta.
Em seus cantos, guarda vozes e esconde fantasmas.
Nas noites de inverno, jorra fumaça.
Quem entra nela, dizem, não sai nunca mais.
Eu atravesso o fosso profundo que a rodeia.
Nessa casa serei habitado.
Nela me espera o vinho que me beberá.
Muito suavemente bato à porta, e espero.

domingo, 1 de agosto de 2010

VII JORNADA CYRO MARTINS

Vejam o site www.celpcyro.org.br para mais informações sobre a jornada. O tema é TRANSTORNO MENTAL E SEXUALIDADE,  e vai acontecer nos dias 13 e 14 de agosto, no Novotel Porto Alegre.